África do Sul excluída da Cimeira do G7 por pressão dos EUA

A exclusão da África do Sul da próxima cimeira do G7, em Evian, França, marca a mais recente escalada numa crescente tensão diplomática entre os Estados Unidos da América (EUA), revelando como as tensões geopolíticas começam a redefinir o posicionamento global de Pretória.

Segundo a Presidência sul-africana, citada pela publicação ‘Business Insider Africa’, a França retirou o convite ao Presidente Cyril Ramaphosa após pressão sustentada de Washington, incluindo ameaças dos EUA de boicotar a cimeira.
A decisão, comunicada através da embaixada francesa semanas antes, afasta, na prática, a economia mais industrializada de África de um fórum global crucial, num momento de intensificação da competição geopolítica.
“Fomos informados de que, devido à pressão sustentada, a França teve de retirar o convite”, afirmou o porta-voz presidencial Vincent Magwenya, acrescentando que responsáveis norte-americanos advertiram que não participariam caso a África do Sul estivesse presente. “Disseram-nos que os americanos ameaçaram boicotar o G7 se a África do Sul fosse convidada, pelo que o país africano não participará nesta reunião do G7”, confirmou à AFP.

Genocídio em Gaza e limpeza étnica dos africâners principais focos de tensão
Este desenvolvimento surge após meses de relações tensas entre Pretória e Washington. As tensões foram alimentadas pela queixa apresentada pela África do Sul contra Israel por genocídio, aliado dos Estados Unidos, bem como pelas críticas reiteradas do Presidente Donald Trump às políticas internas sul-africanas, incluindo alegações contestadas de perseguição a afrikaners brancos.
A exclusão do G7 é apenas o mais recente ponto de fricção numa relação em deterioração entre a África do Sul e os EUA, que se tem manifestado em várias frentes.
As tensões já eram evidentes quando a administração Trump anunciou que não participaria em partes da cimeira do G20 de 2026, em Joanesburgo, alegando “violações de direitos humanos” contra agricultores brancos sul-africanos — acusações que Pretória rejeitou como infundadas e amplamente desacreditadas.
Em Maio de 2025, o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, acusou o Governo da África do Sul de promover uma “limpeza étnica” contra cidadãos brancos.
Para além destes conflitos institucionais, a relação tem sido marcada por divergências mais amplas de política externa, incluindo a decisão da África do Sul de levar Israel ao Tribunal Internacional de Justiça por alegada conduta genocida em Gaza — um processo ao qual os Estados Unidos se opõem — e disputas sobre políticas internas que a administração Trump classificou como discriminatórias.
O efeito cumulativo é uma relação bilateral marcada por tensão, em que instrumentos económicos têm sido utilizados como forma de pressão, incluindo tarifas controversas impostas às exportações sul-africanas e críticas públicas por parte de responsáveis norte-americanos.
Ainda assim, o afastamento de parceiros ocidentais tradicionais acarreta riscos, incluindo potenciais reduções no comércio, investimento e cooperação para o desenvolvimento, num momento em que a África do Sul enfrenta desafios económicos internos e a necessidade de atrair capital estrangeiro.

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