4ª Conferência de Jovens Investigadores da CPLP arranca hoje em Maputo
Moçambique acolhe a partir de hoje, terça-feira, dia 24, e até sexta-feira, dia 27, a 4.ª Conferência de Jovens Investigadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com a expectativa de mais de mil participantes. O evento visa promover a ciência africana, valorizar o conhecimento local e capacitar os jovens.
Cristina Molares D’Abreu, presidente da Associação para o Encontro de Jovens Investigadores da CPLP (EJICPLP) em África, afirmou, em conferência de imprensa, em Maputo: “Queremos fomentar a ciência, reconhecendo que a investigação local também é ciência. Pretendemos dar massa crítica, pensamento de investigação e pensamento científico aos jovens.”
A conferência tem como objectivo promover a produção científica africana e contrariar a visão periférica da investigação nos países africanos de língua portuguesa. Cristina Molares D’Abreu explicou que esta 4.ª edição, que decorrerá no Centro Cultural Moçambique‑China, em Maputo, registou um aumento de participantes face às três edições anteriores, realizadas em Lisboa e Luanda.
“Em Maputo, temos 1200 jovens interessados em participar nesta experiência”, disse, acrescentando que o evento proporcionará contacto directo entre jovens investigadores e especialistas internacionais, servindo como plataforma de intercâmbio científico entre os países da CPLP.
O tema central deste ano é “Diversidade Cultural, Inovação Digital e Conhecimento Ancestral: Construindo Futuros Sustentáveis na África”. O programa arranca na terça‑feira com oficinas na Universidade Eduardo Mondlane e no Instituto Rosa de Guimarães, abordando temas como escrita académica, cinema e inteligência artificial.
“Queremos dar a estes jovens oportunidades que nunca tiveram, com oradores e especialistas de todos os países de língua portuguesa e da diáspora. Estes investigadores e cientistas seniores terão, pela primeira vez, a oportunidade de interagir pessoalmente com eles”, acrescentou.
O evento contará com mais de 40 palestrantes da CPLP e da diáspora, além de apresentações de trabalhos de cerca de 60 jovens investigadores seleccionados. A conferência pretende que a ciência produzida localmente alcance a comunidade internacional e ganhe reconhecimento enquanto ciência africana.
“O nosso objectivo é desconstruir a visão de África como um continente pobre ou desfavorecido e transformar a mentalidade destes jovens, para que cresçam reconhecendo o valor do nosso continente”, concluiu Cristina Molares D’Abreu, reforçando a importância do encontro para o desenvolvimento científico e académico.