BNA mantém taxa de juro e prevê inflacção de 17,5% para 2025

O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu novamente, pela quarta vez consecutiva, não alterar as taxas de juro, mantendo o curso da política monetária.

Deste modo, o BNA, na sua primeira reunião do ano, decidiu manter a taxa BNA em 19,5% , bem como a taxa de juro de facilidade permanente de cedência de liquidez em 20,5%, ou seja, a taxa que o Banco Central cobra aos bancos comerciais para lhes emprestar dinheiro e a taxa de juro de facilidade permanente de absorção de liquidez em 18.5%, ou seja, a taxa que os bancos recebem para depositar fundos no banco central.

De acordo com o governado do BNA, Tiago Dias, a redução do coeficiente de reservas obrigatórias visa libertar liquidez na ordem de 100,0 mil milhões de KZ, com vista a situar as taxas do mercado monetário interbancário em torno da taxa directora.

Nesta primeira reunião do ano, o BNA anunciou uma previsão da taxa de inflacção de 17,5% para este ano de 2025, justificada pelas expectativas de melhoria da oferta de bens e serviços e pela adequação das condições monetárias à actividade económica.

Tiago Dias referiu que a taxa de inflação mensal de Dezembro do ano passado foi de 1,70%, face aos 1,61% registados em Novembro, tendo a inflacção homóloga se fixado em 27,5%.

“Os preços de bens e serviços na economia continuam elevados. Todavia, realça-se o abrandamento da inflacção mensal, iniciado em Maio de 2024, assim como da inflacção homóloga, desde o mês de Agosto, após picos de 2,61% e 31,09% observados em Abril e Julho, respectivamente”, referiu o governador do Banco Central.

Segundo Tiago Dias, o comportamento da inflação em 2024 deveu-se a vários factores, com impactos directos e indirectos, como os ajustes aos preços dos transportes públicos, do gasóleo, das propinas em escolas privadas e públicas, do serviço de telecomunicações e da redução da oferta de bens agrícolas devido à intensidade das chuvas.

“A nossa perspectiva é de que a inflação homóloga vai continuar a cair até ao mês de Junho de 2025. A partir de Junho do mesmo ano é que a situação se vai tornar muito mais desafiante, mas os dados em nossa posse mostram claramente que a inflação homóloga vai continuar a cair”, salientou.

Quanto ao impacto do aumento salarial de 25% para a função pública, previsto para Março deste ano, na taxa de inflação, Tiago Dias revelou que o BNA tem instrumentos de política monetária suficientes para fazer face a eventuais pressões inflacionistas resultantes do aumento salarial. “Para já, isto não constitui preocupação do lado do Banco Nacional de Angola”, garantiu.

O governador do banco apontou como riscos para o aumento da taxa de inflação a alteração de preços administrados, nomeadamente o eventual ajuste nos preços dos combustíveis ou uma produção abaixo das previsões de crescimento económico, particularmente a produção de petróleo.

“Se estiver aquém das nossas previsões, isso poderá ter um impacto sobre a disponibilidade de moeda estrangeira na economia e, consequentemente, sobre a inflação. Podemos também

mencionar uma redução muito substancial dos preços do petróleo no mercado internacional, abaixo do preço de referência do Orçamento Geral do Estado, que poderá impactar a inflação”, assinalou.

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