Restrições de navegação no estreito de Ormuz estão a afectar apoio humanitário à África Subsaariana

O responsável da ajuda humanitária das Nações Unidas (ONU) Tom Fletche advertiu, ontem, quarta-feira, dia 11, que o conflito no Médio Oriente está a pressionar as operações humanitárias em todo o mundo, perturbando cadeias de abastecimento e atrasando a entrega de assistência vital a diversas zonas de crise. “Estamos num momento de grave perigo para o Médio Oriente e, na verdade, creio que para o mundo em geral”, afirmou Tom Fletcher em declarações à agência Reuters.

A guerra entre os Estados Unidos da América (EUA) e Israel contra o Irão, que se expandiu ao Líbano e envolveu vários países do Golfo, abalou os mercados globais e perturbou cadeias de abastecimento, com o encerramento de espaços aéreos e a interrupção do transporte marítimo através do estratégico Estreito de Ormuz.

Fletcher afirmou que o fornecimento de ajuda a Gaza e à África Subsaariana está a ser afectado pelo conflito, uma vez que os carregamentos humanitários que necessitam de atravessar o corredor energético ou o espaço aéreo do Golfo têm sido, em grande medida, bloqueados ou restringidos.

A Somália, afectada por conflitos e actualmente confrontada com uma grave seca, e o Sudão estão entre vários países que enfrentam crises humanitárias severas.

“Estas restrições irão prejudicar as nossas cadeias de abastecimento humanitário, reduzir as quantidades de ajuda que conseguimos fazer chegar às pessoas que dela necessitam, mas também farão subir os custos da energia e dos alimentos em toda a região”, afirmou Fletcher, acrescentando: “Neste momento, isto é a tempestade perfeita de factores e estou seriamente preocupado”.

Há uma particular preocupação quanto ao fornecimento de ajuda à África Subsaariana, explicou Fletcher, que está a ser afectada pelas restrições à circulação através do Estreito de Ormuz, enquanto rotas alternativas enfrentam custos de transporte cada vez mais elevados.

A subida dos preços do petróleo está também a tornar mais dispendiosas as operações aéreas de entrega de ajuda da ONU, numa altura em que os orçamentos das agências das Nações Unidas e das ONG já enfrentam cortes significativos por parte dos doadores.

“Conseguimos reunir algum financiamento para manter mais voos humanitários no ar, mas, de repente, praticamente de um dia para o outro, tornaram-se muito mais caros”, concluiu Fletcher.

Notícias relacionadas
Comentários
Loading...