Oferta global de petróleo ameaçada pelo encerramento do Estreito de Ormuz, revela AIE

A Agência Internacional de Energia (AIE) calcula que o encerramento do estreito de Ormuz devido à guerra no Médio Oriente vai provocar um colapso da oferta de petróleo no mundo de oito milhões de barris/dia neste mês, avançou a agência Lusa, ontem, quinta-feira, dia 12.

No relatório mensal sobre o mercado do petróleo, a AIE destaca que com este conflito se está a viver a maior interrupção de fornecimento da história, e precisa que com 98,8 milhões de barris/dia de média este mês, a saída de petróleo para o mercado vai cair para o nível que tinha no primeiro trimestre de 2022.Esta queda significaria uma descida de 7,5% em relação à oferta que houve no mês de Fevereiro.

De acordo com os elementos de que dispõe a agência, os fluxos que normalmente passavam pelo Estreito de Ormuz (15 milhões de barris/dia de petróleo bruto e cinco milhões de barris/dia de derivados de petróleo) foram reduzidos para menos de 10%.

Essas perdas só poderão ser compensadas a curto prazo, e apenas de forma muito parcial, com um aumento da produção de alguns produtores que não pertencem à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), essencialmente os Estados Unidos da América (EUA), Canadá, bem como a Rússia e o Cazaquistão, que recuperarão uma parte da queda que sofreram em Fevereiro.

A AIE anunciou na quarta-feira, dia 11, que os seus 32 países membros vão retirar até 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas, a maior operação desse tipo na sua história, para tentar compensar a interrupção do fornecimento pelo Estreito de Ormuz e acalmar o mercado.

Os mercados davam como certo desde segunda-feira, dia 9, que a AIE iria recorrer às suas reservas estratégicas, e isso tinha feito baixar o preço do barril desde o pico que tinha alcançado na madrugada daquele dia (o Brent chegou a tocar 120 dólares/barril).

Quando na quarta-feira, dia 11, se soube que os 32 países membros da AIE vão retirar até 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas, o barril caiu momentaneamente para menos de 90 dólares. Mas nas horas seguintes voltou a ultrapassar os 100 dólares devido às incertezas sobre a duração da guerra e o tempo em que o Estreito de Ormuz continuará bloqueado, e na manhã de ontem, quinta-feira, no início do dia, o Brent continuava acima dos 95 dólares/barril.

Na falta de uma resolução rápida do conflito, a agência adverte que esta libertação parcial de um terço do total de suas reservas estratégicas “continua a ser uma medida provisória” e que o impacto final do conflito no mercado de petróleo e gás dependerá dos danos nas infra-estruturas energéticas e da duração do bloqueio daquele estreito marítimo fundamental.

Previsões de oferta de petróleo para 2026

A AIE estima que, para o conjunto do ano, a oferta de petróleo subirá em média 1,1 milhões de barris/dia face a 2025, para 107,2 milhões de barris/dia, que traduz uma revisão muito significativa em baixa em relação ao aumento de 2,4 milhões de barris/dia que previa há apenas um mês, antes do início da guerra no Médio Oriente com os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão iniciados a 28 de Fevereiro.

Serão os produtores que não pertencem ao cartel formado pela OPEP e os seus parceiros que contribuirão integralmente para esse crescimento, e muito particularmente os EUA e o Brasil.

No que diz respeito à procura, os autores do relatório também corrigiram em baixa e de forma significativa as expectativas, já que previam que neste mês e Abril próximo a mesma diminua em cerca de um milhão de barris/dia face ao que calculavam no relatório anterior.

A razão fundamental é que se está a consumir menos querosene porque o tráfego aéreo no Médio Oriente foi em grande parte paralisado, com implicações também para o resto do mundo, e porque a paralisação dos fluxos de gás natural liquefeito (GNL) pelo estreito de Ormuz provocou fortes interrupções na cadeia de fornecimento para a produção de gás liquefeito de petróleo.

A médio prazo a AIE antecipa uma mudança nos comportamentos dos consumidores em todo o mundo devido ao aumento dos combustíveis.

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