Empresários chamados a assumir protagonismo na diversificação da economia angolana
Encontro promovido pelo Banco Caixa Geral Angola reuniu líderes empresariais e especialistas, em Luanda, para debater as perspectivas de crescimento, o investimento e os efeitos das transformações geopolíticas na economia mundial.
A participação do sector privado na transformação da economia angolana esteve em destaque na primeira edição, em Angola, do encontro «Fora da Caixa», uma iniciativa do Banco Caixa Geral Angola que reuniu, na quinta-feira, 8 de Outubro, em Luanda, empresários, gestores, especialistas e decisores económicos para reflectir sobre os desafios e as oportunidades de crescimento do país e do continente africano.
Realizado no Auditório Saydi Mingas, no Museu da Moeda, o evento proporcionou um espaço de debate sobre diversificação económica, investimento, competitividade, inovação e liderança empresarial, num contexto internacional marcado por mudanças tecnológicas, económicas e geopolíticas que influenciam as decisões das empresas e dos investidores.
Na sessão de abertura, Patrício Vilar, presidente do Conselho de Administração do Banco Caixa Geral Angola, destacou a importância de promover iniciativas que favoreçam a partilha de conhecimentos e o diálogo entre os diferentes intervenientes da economia. A aproximação entre empresas, instituições financeiras e responsáveis pela definição de políticas económicas foi apresentada como um contributo para o fortalecimento do tecido empresarial angolano.
O responsável salientou igualmente a importância de reflectir sobre os obstáculos que condicionam a actividade empresarial e sobre as oportunidades que podem ser aproveitadas para estimular o investimento e promover um desenvolvimento económico sustentável.
Empresas perante os desafios da mudança
A capacidade de adaptação das organizações a um ambiente económico em permanente transformação constituiu outro dos temas centrais do encontro. Paulo Moita de Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, abordou a questão na intervenção intitulada «Gestão, Crescimento e Mudança».
A reflexão incidiu sobre os desafios colocados pela inovação tecnológica, pela crescente complexidade dos mercados e pela necessidade de modelos de liderança capazes de antecipar tendências, responder às mudanças e criar valor numa perspectiva de longo prazo.
As perspectivas de desenvolvimento do continente africano foram analisadas por Gonçalo Martins, Senior Partner da McKinsey, que abordou o potencial de crescimento de África e as oportunidades e os riscos que se colocam aos investidores, com particular atenção ao contexto angolano.
A análise enquadrou as possibilidades de expansão dos negócios num cenário internacional em que as economias africanas procuram aproveitar novas oportunidades de investimento, enfrentando, simultaneamente, incertezas económicas e alterações nas dinâmicas do comércio mundial.
Diversificação exige maior dinamismo empresarial
A contribuição do sector privado para a diversificação da economia angolana esteve no centro do painel «Angola First», que juntou representantes de diferentes áreas de actividade.
Moderado por Sebastião Vemba, director da revista Economia & Mercado, o debate contou com Manuela Ferreira, presidente da Comissão Executiva do Banco Caixa Geral Angola; José Carlos Nogueira, Chief Financial Officer do Grupo Mota-Engil; Patrício Quingongo, fundador e presidente da Comissão Executiva da PetroAngola; e Adilson Nelumba, presidente do Conselho de Administração da Copia Group of Companies.
Os participantes examinaram os desafios enfrentados pelas empresas na ampliação da capacidade produtiva, na criação de emprego e no reforço da competitividade nacional.
A discussão destacou a importância de uma participação mais activa do empresariado na transformação da estrutura económica do país, numa altura em que Angola procura diminuir a dependência do petróleo e desenvolver outras fontes de crescimento e geração de riqueza.
Neste contexto, o investimento privado assume particular relevância para ampliar a actividade económica, dinamizar diferentes sectores produtivos e criar condições para um crescimento mais diversificado e sustentável.
Cenário geopolítico influencia decisões de investimento
Os efeitos das transformações internacionais sobre as economias nacionais estiveram igualmente em análise na intervenção de José Manuel Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia, que encerrou o encontro com uma reflexão sobre as principais tendências económicas e geopolíticas que influenciam actualmente a economia mundial.
A abordagem permitiu relacionar os desafios enfrentados por Angola e pelo continente africano com as mudanças nas relações entre os grandes blocos económicos, a evolução dos fluxos de investimento e a reorganização das cadeias de valor globais.
A realização do «Fora da Caixa» enquadra-se na aposta do Banco Caixa Geral Angola na promoção do debate económico e na aproximação entre o sector financeiro, o empresariado, os especialistas e os decisores.
Num momento em que Angola procura consolidar as bases de um crescimento menos dependente do petróleo, a diversificação da economia, a mobilização de investimento e o aumento da competitividade das empresas continuam a constituir desafios centrais para o desenvolvimento do país.