Ataques no Médio Oriente empurram petróleo para perto dos 100 dólares

Os preços do petróleo registam uma valorização de 5% nesta segunda-feira, impulsionados por uma nova troca de ataques entre Israel e Irão, o que agrava o conflito no Médio Oriente e leva os investidores a apostarem que um acordo de paz pode estar mais longe do que o esperado.

O Brent, crude de referência para Angola, chegou mesmo a tocar nos 97,75 dólares por barril, uma subida de 4,81% face ao preço de fecho de sexta-feira. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, acelera 4,41% para 94,54 dólares por barril.

A guerra no Médio Oriente voltou a ocupar o centro das atenções dos investidores, depois de o Irão ter lançado vários ataques contra Israel, em resposta a uma ofensiva de Tel Aviv contra os subúrbios do sul de Beirute, no Líbano. O Presidente norte-americano, Donald Trump, apelou ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para não responder aos ataques, mas o pedido foi ignorado.

Israel lançou uma nova ofensiva contra várias cidades iranianas durante a madrugada, ataques que tiveram uma resposta imediata por parte de Teerão. De acordo com a agência de notícias iraniana Fars, a República Islâmica lançou mísseis contra as bases aéreas israelitas de Nevatim e Tel Nof. Vários países da região decidiram fechar ou restringir o espaço aéreo, dada a escalada do conflito.

“A escalada de tensões deste fim de semana entre Israel e o Irão mostra-nos, mais uma vez, quão frágil é o cessar-fogo”, afirmou Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, à Bloomberg. “O recrudescimento das hostilidades resulta num maior risco geopolítico de que o estreito [de Ormuz] possa ficar fechado por mais tempo do que o previsto, ao mesmo tempo que aumenta a probabilidade de o Irão tomar medidas adicionais para restringir a navegação no Mar Vermelho”, acrescentou.

As negociações para alcançar a paz no Médio Oriente continuam num impasse, com vários pontos de discórdia a impedirem novos avanços. Além do controlo do estreito de Ormuz e do futuro do urânio enriquecido detido pelo Irão, a República Islâmica exige ainda um cessar-fogo entre Israel e o Líbano, algo que fora alcançado na semana passada, mas que foi rejeitado por parte do Hezbollah.

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