Sonangol poderá alienar acções do BCP avaliadas em 62 milhões de euros
A petrolífera estatal angolana Sonangol poderá ter de vender cerca de 56 milhões de acções do Banco Comercial Português (BCP), avaliadas em aproximadamente 62 milhões de euros, na sequência do programa de recompra de títulos próprios lançado pela instituição financeira, uma operação que poderá alterar o peso relativo dos accionistas no capital do banco.
Esta é a segunda vez consecutiva que a empresa angolana se vê confrontada com esta situação, decorrente da redução do número de acções em circulação. Quando um banco recompra os seus próprios títulos, a participação percentual dos accionistas que não vendem pode aumentar, mesmo sem adquirirem novas acções.
De acordo com a estrutura accionista divulgada pelo BCP, com referência a 30 de Junho de 2026, a Sonangol detinha 2.946.353.914 acções, correspondentes a 19,9% do capital da instituição.
A eventual alienação de parte destes títulos permitirá ajustar a posição da petrolífera angolana aos efeitos da operação de recompra. O valor de 62 milhões de euros constitui uma estimativa, estando o encaixe efectivo dependente do preço a que as acções venham a ser vendidas.
A participação no BCP integra a carteira de investimentos internacionais da Sonangol, que tem defendido a importância de diversificar os seus activos e reduzir a exposição aos riscos associados à concentração num único sector ou mercado.
Além da instituição financeira portuguesa, a petrolífera angolana mantém um investimento na Galp, empresa do sector energético. Em Fevereiro de 2026, o administrador da Sonangol, Osvaldo Inácio, afirmou que ambas as participações continuavam alinhadas com a estratégia de diversificação do portefólio da companhia.
A eventual venda de acções do BCP não significa, por si só, que a Sonangol pretenda abandonar o investimento na instituição portuguesa. A operação poderá representar um ajustamento da posição accionista às alterações provocadas pela recompra de títulos próprios do banco.
O impacto final dependerá do número de acções efectivamente alienadas e da evolução da estrutura accionista do BCP. Até à concretização da operação, não é possível determinar o encaixe definitivo nem concluir que esteja em causa uma mudança na estratégia de investimento da petrolífera angolana.