Angola e Namíbia querem acelerar projectos de água e reforçar cooperação agrícola
A Namíbia e Angola pretendem acelerar a execução de projectos de abastecimento de água e aprofundar a cooperação no sector agrícola, com o objectivo de reforçar a segurança alimentar, criar emprego e impulsionar o desenvolvimento económico nas regiões fronteiriças dos dois países.
A intenção foi manifestada pela Presidente namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah, ontem, segunda-feira, dia 19, durante a sua primeira visita de Estado a Angola, onde defendeu a conclusão urgente de iniciativas hídricas transfronteiriças destinadas a apoiar a agricultura e a melhorar as condições de produção nas zonas áridas do norte da Namíbia.
Entre os projectos prioritários encontram-se a extensão para território namibiano do sistema hídrico do Cafu, na província angolana do Cunene, e a entrada em funcionamento da estação de bombagem de água de Calucuve, igualmente localizada naquela província.
«A agricultura é uma prioridade para nós e, em conjunto com Angola, gostaríamos de investir na agricultura e no agro-processamento, como forma de garantir a segurança alimentar e criar empregos para os nossos povos», afirmou a chefe de Estado namibiana.
A cooperação bilateral contempla igualmente o desenvolvimento de infra-estruturas de transporte. Neste domínio, a proposta de ligação ferroviária entre Oshikango, na Namíbia, e Santa Clara, em Angola, é apontada como uma oportunidade para reduzir os custos logísticos, facilitar a circulação de mercadorias e dinamizar as trocas comerciais entre os dois países.
Netumbo Nandi-Ndaitwah defendeu, por isso, a intensificação dos intercâmbios técnicos e a elaboração de planos que permitam transformar as iniciativas acordadas em projectos concretos. Chamou também a atenção para os obstáculos enfrentados pelos comerciantes nas zonas fronteiriças, que podem aumentar os custos de actividade e limitar as oportunidades de negócio, sobretudo para os operadores de pequena dimensão.
No domínio energético, a Presidente namibiana destacou a importância da implementação do projecto de Baynes, que prevê a construção de uma barragem hidroeléctrica no rio Cunene. Na sua perspectiva, a infra-estrutura poderá contribuir para a industrialização da região austral de África, desde que a execução respeite os prazos estabelecidos.
A governante salientou que áreas como a educação, a saúde, o desporto, a habitação, as infra-estruturas e a logística dependem da disponibilidade de água e energia, consideradas fundamentais para o desenvolvimento económico e social.
Por seu turno, o Presidente angolano, João Lourenço, manifestou a intenção de privilegiar os sectores da energia e das águas na cooperação com a Namíbia, incluindo a possibilidade de interligação da rede eléctrica angolana à rede regional da África Austral.
O chefe de Estado angolano defendeu o aproveitamento partilhado das infra-estruturas de produção energética de Angola, de modo a abastecer países vizinhos, nomeadamente a Namíbia, a África do Sul, o Botswana e o Zimbabwe.
Integração regional também é partilha de infra-estruturas
João Lourenço enquadrou esta perspectiva no esforço de integração regional, considerando que os países africanos podem beneficiar da partilha de infra-estruturas e da capacidade de produção dos respectivos parceiros, em vez de procurarem desenvolver isoladamente todos os recursos de que necessitam.
Relativamente aos recursos hídricos, o Presidente angolano referiu a experiência de construção de barragens nas províncias da Huíla, do Cunene e do Namibe, destinadas ao abastecimento das populações, ao apoio à agricultura e à criação de gado. Segundo afirmou, Angola está disponível para partilhar esta experiência com a Namíbia, cujas regiões setentrionais apresentam características climáticas semelhantes.
A visita de Estado ficou igualmente marcada pela assinatura de oito instrumentos jurídicos de cooperação, no âmbito da sessão inaugural da Comissão Binacional Angola-Namíbia. Os acordos visam aprofundar as relações bilaterais e enquadram-se também nos objectivos da Agenda 2063 da União Africana, que estabelece as linhas orientadoras para o desenvolvimento do continente.
Durante a sua deslocação a Luanda, Netumbo Nandi-Ndaitwah tem ainda previsto um discurso na Assembleia Nacional e a participação num fórum económico que reúne empresários angolanos e namibianos. A visita termina na terça-feira, com uma deslocação à refinaria de Luanda.